Monday, July 30, 2007

Notas paralelas


O LA Times publicou ontem um excelente artigo sobre as semelhanças e as diferenças entre o jazz e o heavy metal. O primeiro estilo musical é considerado de elitista e complexo; o segundo é visto como brincadeira de crianças ou apenas como "barulho". Este texto, embora com as limitações de espaço que um jornal implica, traz algumas comparações interessantes entre os "dois mundos". Ao contrário do que muitos pensam, as semelhanças entre o jazz e o metal são muitas, e por isso muitos músicos tentam fundir os dois estilos.

"(...) heavy metal and jazz have been sipping quite a bit of lemonade on the veranda together lately. Bopsters used to disdain metal as kid stuff; metal dudes thought jazz was for geeks. But both forms — and forms ain't as pure as they used to be — tend to make huge technical demands, challenging the outer limits of fingers and mind".
A minha opinião sempre se aproximou a isto, pois o heavy metal pode ser tão ou mais complicado que o jazz, musicalmente falando, transmitindo as inúmeras emoções que a música pode transmitir. Nos dois estilos existem boas e más bandas, músicos exibicionistas (com os seus rapídissimos solos), e também grande parte dos melhores músicos de sempre.

"Some jazz players think that by putting a distortion box on their tone, all of a sudden it's rock," says Sherinian, lounging in his Valley home/studio. "But unless you grew up listening to Led Zeppelin, Van Halen, Black Sabbath, and you have that music in your heart, it's not gonna rock. Jeff Beck was the model for me, because he was a rock player who crossed over to the jazz side", diz Derek Sherinian, virtuoso teclista, que já passou pelos Dream Theater

Eu acho que qualquer dos dois estilos teve um papel considerável no desenvolvimento da música em geral, e discordo totalmente dos críticos de jazz que falam de um pedestal e olham para baixo para as bandas de rock. Gosto de ouvir ambos, e não acho que um estilo seja superior ao outro. Até porque a estrutura musical muitas vezes é semelhante, só que os instrumentos utilizados e a produção dos discos fazem-nos parecer muitas vezes como se estivessem em campos totalmente opostos. Por exemplo, Miles Davis aproximou-se muito do rock, enquanto bandas como Dream Theater ou King Crimson utilizam elementos jazzísticos, com outra "roupagem".

"In the '70s though, it was mainly African American jazz players who were crossing over to rock — selling out, many observers whined. But when Miles Davis heard Jimi Hendrix detonating sound bombs in the late '60s, he knew jazz needed to twist the volume knob. And electrified Miles begat a generation of fusioneers that included Tony Williams, John McLaughlin, Herbie Hancock, Chick Corea and Joe Zawinul, and Williams begat the nonpareil six-string speedster Allan Holdsworth".

Percebo que muitos sejam incapazes de gostar de dois estilos que soam, por vezes, totalmente opostos. Mas a ignorância e os comentários que muitos supostos entendidos fazem, levam-me a chegar à conclusão que de música percebem pouco. Apenas gravitam em torno desse mundo artístico e acham-se no direito de falar de coisas das quais deviam ter o mínimo de conhecimento.

Link para artigo completo

Sunday, July 29, 2007

RATM

Sete anos depois, os Rage Against The Machine voltaram a actuar em Nova Iorque. A recente onda de concertos que a banda deu desde o início do Verão fazem renascer a esperança de que se voltem a juntar e, principalmente, que façam uma tournée europeia.

Wednesday, July 25, 2007

The Jimi Hendrix Concerts


James Marshall Hendrix teve a sua primeira guitarra eléctrica aos 12 anos. A partir daí, pouco mais há a dizer e muito para ouvir. Hendrix morreu em 1970, com 28 anos, e hoje em dia só resta imaginar o que seria se ainda estivesse vivo. Nunca ninguém tinha ouvido um guitarrista tocar assim. Imagino o choque das pessoas na década de 60, quando ouviram o que Hendrix fazia com a guitarra. A partir de então o mundo nunca mais foi o mesmo.

O que me faz confusão é que muitas pessoas que adoram rock, blues, metal, etc., não conheçam sequer o trabalho daquele que foi, talvez, o melhor de sempre com uma guitarra na mão. Para quem já conhece, este é um grande disco. Quem não conhece, é uma boa oportunidade de se cultivar.

The Jimi Hendrix Concerts é um duplo álbum ao vivo, com algumas das suas melhores actuações e os seus grandes clássicos. Are you experienced?

Jimi Hendrix - Guitar
Noel Redding - Bass
Mitch Mitchell - Drums
Billy Cox - Bass on
"Red House" and "Hey Joe"

Part 1
Part 2

Tuesday, July 24, 2007

Who's the Master?

Há bandas que costumam tocar uma ou outra cover de vez em quando, para descontrair ou para homenagear algum grupo que os tenha marcado. Os Dream Theater têm esse hábito, com uma 'ligeira' diferença: é que quando o fazem, tocam um álbum inteiro. Entre Iron Maiden, Pink Floyd ou Metallica, os DT já mostraram ao vivo que não esquecem as suas influências.

Deixo aqui um álbum clássico, o Master of Puppets, dos Metallica, mas interpretado na íntegra pelos Dream Theater. A voz está diferente, mas pelo menos não há 'pregos'. É que em Lisboa deu para ver que os criadores do álbum já não conseguem tocar as músicas antigas mais complexas sem uns "aldrabanços". Esta versão do Master é "limpinha", do princípio ao fim...



James LaBrie - vocals
John Myung - bass
John Petrucci - guitar
Mike Portnoy - drums, vocals
Jordan Rudess - keyboards

1. Battery
2. Master Of Puppets
3. The Thing That Should Not Be
4. Welcome Home (Sanitarium)
5. Disposable Heroes
6. Leper Messiah
7. Orion
8. Damage Inc.


Link para download

Sunday, July 22, 2007

Constant Motion


Pela primeira vez, desde há muitos anos, os Dream Theater voltaram a gravar um videoclip. Praticamente ignorados pelos canais de ??música?? como a MTV, os mestres do progressivo deixaram de apostar no formato vídeo. Agora que assinaram contrato com uma major, a Roadrunner Records, os DT tiveram uma promoção como nunca visto até aqui.

O single do álbum Systematic Chaos, Constant Motion, uma das melhores músicas deste ano, foi agora apresentado em videoclip. A versão é mais curta, tem algumas passagens cortadas, infelizmente, mas vale a pena ver...



Para ouvir a versão completa (Audio) da música vão a http://www.myspace.com/dreamtheater

Friday, July 13, 2007

Música grátis

Um excelente motor de pesquisa para encontrar MP3's e álbuns em RAR. Não estou a dizer para sacarem, é mesmo só para pesquisar... lol

http://www.jimmyr.com/mp3.php

Wednesday, July 11, 2007

Beyond


Foi a terceira vez, mas parecia ser a primeira. Sempre que há um concerto de Steve Vai, o nervoso miudinho não me larga até ao início do espectáculo. Não é que nos outros concertos não o sinta, mas com o Vai é diferente. A genialidade, a personalidade, a presença em palco, o talento deste guitarrista não é algo a que se assista todos os dias, mesmo para quem está habituado a ver concertos desde pequeno.

Esta noite, mais uma vez na Aula Magna, tive a sorte de assistir a um grande espectáculo musical. Com uma banda diferente, que incluia dois virtuosos violinistas, Steve Vai fez uma retrospectiva dos álbuns mais importantes da carreira, mas com alguns arranjos diferentes. Desde logo, os dois violinos em palco adicionaram uma tonalidade "exótica" à música indescritível de Vai. Depois é aquilo que já se esperava, uma banda de grandes músicos a acompanhar o genial Vai, que mesmo assim consegue ser um "one man show". Toca, canta (e não tão mal como dizem os 'entendidos'), interage com a banda e o público, tudo dentro de um ambiente de extrema boa disposição.

O som na Aula Magna estava excelente, como é hábito, o que ajudou a complementar as notas "debitadas" pelos músicos presentes. A duração do concerto, 2 horas e meia, soube a pouco.

Em suma, uma noite a recordar. Mais uma vez, obrigado Steve Vai pela música inspiradora.

Monday, July 09, 2007

Para a próxima já sabem...


A Inglaterra não está definitivamente com os Metallica. Depois de James Hetfield ter sido detido no aeroporto de Luton devido à sua barba (confundido com um taliban!!!), desta vez foi a BBC a interromper o concerto dos Metallica no Live Earth. A atitude da cadeia britânica levou mais de quatro centenas de fãs da banda a queixarem-se...

Sunday, July 08, 2007

Ministry

O último álbum de Ministry, intitulado "The Last Sucker", vai ser lançado em Setembro deste ano. Este disco marca a despedida de uma das bandas mais aclamadas do heavy metal industrial, após 11 álbuns e 27 anos de carreira. O álbum é o último de uma trilogia que desmascara as falhas e conspirações da Administração Bush, depois de "Houses of the Mole" e "Rio Grande Blood". O novo álbum vai ter também uma cover de "Roadhouse Blues" dos Doors.

'Taliban' à solta

James Hetfield foi detido num aeroporto britânico, quando a banda se deslocava para tocar no Live Earth. Parece que a barba do frontman dos Metallica gerou alguma desconfiança, dado o clima "paranóico" que se vive em Londres.

Saturday, July 07, 2007

I'm creeping death

Os Metallica colocaram online um vídeo oficial da abertura do concerto em Atenas (3 Julho 2007), incluindo a primeira música, "Creeping Death". Um início semelhante ao de Lisboa, 5 dias antes.

http://youtube.com/watch?v=OI0RGh_0_eQ

Friday, July 06, 2007

Três mestres



O que acontece quando se juntam três mestres da guitarra clássica? "Friday Night in San Francisco" é um dos álbuns ao vivo mais influentes na história da guitarra. John McLaughlin, Paco de Lucia e Al Di Meola proporcionaram um espectáculo inesquecível, que ficou para sempre imortalizado nesse álbum. O concerto remonta ao ano de 1981, mas a sua qualidade atravessou décadas e, ainda hoje, é uma referência neste género musical. As melodias, os acordes, as grandes cavalgadas, estão lá todas, sem guitarras eléctricas e sem distorção.

A qualidade de imagem não é a melhor, mas vale a pena recordar o clássico "Mediterranean Sundance" em vídeo. Aqui.

Thursday, July 05, 2007

Carry On


Chris Cornell dispensa apresentações. Depois do excelente trabalho, nomeadamente nos Soundgarden, o vocalista formou mais recentemente os Audioslave, com elementos dos Rage Against The Machine. O som rock da banda perdeu o tom revoltado e agressivo de Zack de La Rocha, mas ganhou a melodia e o timbre inconfundível de Cornell, um dos melhores, se não o melhor vocalista de rock.

Pois bem, acabado que está esse projecto - os álbuns começavam a tornar-se muito iguais, parece que as ideias tinham-se esgotado - Cornell regressa em grande com um álbum a solo. Ao contrário de Euphoria Morning, este registo a solo está bastante interessante. Cornell é, além de grande vocalista, também um excelente compositor. E vale bem a pena ouvir este "Carry On" do princípio ao fim. Pelo meio, uma cover fantástica de "Billie Jean", de Michael Jackson... e mais não digo!

Se quiserem ter um cheirinho, vão a www.myspace.com/chriscornell

Wednesday, July 04, 2007

Dois regressos


A falta de tempo levou-me a deixar de escrever para o blog. Seis meses depois, uma época de concertos levou-me a escrever novamente umas linhas. Não que a vontade tivesse passado, mas nem sempre conseguimos ter tempo para fazer tudo aquilo que gostamos.


Depois do concerto dos Dream Theater me ter relembrado que já não pego numa guitarra há bastante tempo, o show dos Metallica no SBSR relembrou-me que não escrevia sobre música ainda há mais tempo. Se os mestres do progressivo não foram uma surpresa (a única coisa má foi mesmo o som no Coliseu), já os Metallica deixaram-me algo surpreendido com o setlist. Sim, sei que no Rock in Rio tinham tocado músicas antigas, mas desta vez foram ainda mais longe.

Tocaram o ...And Justice For All, uma das melhores composições da banda, 18 anos depois!!! ( aúltima vez tinha sido em São Paulo, em 1989). Depois, além de clássicos como Ride The Lightning, The Four Horsemen, Disposable Heroes ou Orion (!!!! RIP Cliff Burton), ainda nos deram o Am I Evil, que também não era tocado ao vivo na versão completa há 9 anos. Quem deve mesmo ter ficado a apanhar do ar foi todos os putos e os wannabe Metallica fans, que não devem ter conhecido metade do alinhamento. Temos pena! Há vida antes do black album. Quando se gosta de uma banda, não custa nada ver o que foi feito no passado (sim, porque quando saiu o "Metallica", em 1991, também era um puto).

De resto, a mesma merda de sempre. Cada vez tenho menos paciência para festivais - parece que agora estão na moda e temos que apanhar com otários que nem conhecem o que está no cartaz, mas como é bom comentar com os amigos que estiveram presentes no evento, lá vão eles...

Para quem quiser recordar, eis a pérola, 18 anos depois:
http://youtube.com/watch?v=LO8pQaWEGgk

Thursday, November 23, 2006

Loueke! Quem?


Depois do concerto dos "extraterrestres" Keith Jarrett, Jack DeJohnette e Gary Peacock, eis que chega o Herbie Hancock na mesma semana!! Uff!! Não é fácil digerir tanta coisa. E num concerto de mais um "extraterrestre", a surpresa veio de uma guitarra. Lionel Loueke, músico do Benin, é uma verdadeira caixinha de surpresas. E alia ao seu enorme talento uma dose interessante de originalidade. Nascido em África, estudou música em Paris e depois na Berklee School of Music, nos EUA. E consegue juntar todas estas influências de uma forma bastante interessante. Um valor a não perder de vista.

http://www.youtube.com/watch?v=HRKz5oN_1Eo

www.lionelloueke.com

Watch for yourself!

Thursday, November 09, 2006

Já só faltam três dias...


...para o regresso a Portugal de um dos melhores músicos de jazz de sempre. 25 anos depois Keith Jarrett vai actuar no nosso país. Keith vai actuar no formato de trio, trazendo com ele os companheiros habituais: Jack Dejohnette e Gary Peacock. Dia 12 de Novembro no CCB. A não perder!

Wednesday, October 11, 2006

Introducing... Mr. Mike Mangini

No comments...



Se me conseguirem explicar onde é que os braços dele estão no fim do solo, agradecia :)

Friday, September 29, 2006

Com Cheerleaders assim... vale a pena

O tempo para escrever tem sido tão curto, portanto cá vai mais uma sugestão em formato vídeo. Vejam aqui as meninas bonitas da Luz...





Se quiserem ler toda a reportagem cliquem aqui.

Thursday, August 10, 2006

Even the score

Já falta pouco para o lançamento daquele que espero seja um dos melhores álbuns do ano. "Score" é o mais recente trabalho dos Dream Theater, um álbum ao vivo em que a mestria dos músicos da banda se mistura com uma orquestra. Depois de S&M dos Metallica, "Score" tem tudo para ser um marco na história da fusão rock/metal com a música sinfónica. Mas a boa notícia é que o álbum está disponível em mp3.com para ser ouvido em streaming. Claro que não é o mesmo que ter o CD ou o DVD, mas até à data de lançamento (prevista para 29 de Agosto) já dá para saciar a curiosidade. A não perder!

Tuesday, August 08, 2006

Stanley Jordan

Por dica de um amigo, aqui fica mais um grande clip de um grande músico. Mais uma vez as palavras são totalmente dispensáveis... Just hear it!

Monday, July 31, 2006

Miles Away


Há músicos que marcam uma geração. Mas há outros que vão ainda mais longe. Mudam toda a forma de pensar, tocar e estruturar uma peça musical. Revolucionam as nossas mentes, chocam com métodos instituídos e irritam os críticos que não os conseguem compreender. E estes músicos não marcam apenas uma geração – deixam a sua marca de tal forma impressa que a partir daí a música nunca mais é a mesma. Atravessam décadas e o legado perdura para sempre. Veja-se o caso de Mozart, Beethoven, Rachmaninoff ou Jimi Hendrix. Quantos anos passaram desde as últimas composições destes génios? Mesmo que não se perceba, aquilo que fizeram pela música continua a perdurar e as composições da actualidade serão sempre influenciadas por o que se conseguiu evoluir no passado.

Miles Davis é uma destas excepções. O trompetista norte-americano revolucionou a música no século XX e a sua influência vai perdurar por muitos séculos. O menino que nasceu em Saint Louis cedo ganhou interesse pela música e mudou-se para New York assim que completou o ensino secundário. Foi aqui que conheceu o mundo do jazz, no famoso circuito de bares da Big Apple. Ainda jovem, Miles conheceu alguns nomes grandes do jazz como Charlie Parker, Jack DeJohnette ou Art Blakey. Aprendeu com eles, mas tão importante como isso foi a preocupação em encontrar a sua “voz” no trompete, a sua sonoridade, aquilo que o iria distinguir de todos os outros. Esse foi um percurso de toda uma vida, que pode ser apreciado na longa discografia do artista. Desde os primeiros anos a tocar standards até à fase “eléctrica” e progressiva, Miles Davis é inconfundível. Trabalhou com John Coltrane, Sonny Rollins, Chick Corea, Keith Jarrett, Art Tatum, Charles Mingus, Philly Joe Jones, Dizzy Gillespie, entre muitos outros. Mas sempre se conseguiu destacar pela originalidade, criatividade e inovação. Como li nalgum lado, Miles Davis é o Picasso do jazz. Não sei se a comparação é ideal ou não, mas o trompetista negro de mau feitio é talvez o músico mais influente do jazz do século passado.

Pouco tempo antes de Jimi Hendrix falecer, os dois músicos tinham-se juntado e preparavam-se para gravar um álbum juntos.
Infelizmente, esse disco nunca chegou a acontecer. Miles soube da notícia da morte do guitarrista, e pela primeira vez na sua vida achou que devia ir a um funeral. O sonho tornava-se impossível de realizar: conhecendo-se o génio dos dois músicos, a música seria provavelmente algo impossível de descrever. Afinal o que aconteceria se se juntassem os dois maiores músicos do século XX??? Nunca se saberá...

Miles morreu em 1991, mas a sua música é eterna.



Wednesday, June 28, 2006

A vingança serve-se fria...

Capa de ontem do maior diário desportivo espanhol, antes do jogo dos oitavos-de-final entre França e Espanha. (Reparar nas provocações em letra pequena, acima da manchete, a Zidane).



Quem é que está em pânico agora? Zidane mostrou que ainda não esqueceu... e os espanhóis choram a eliminação. Nada a que já não estejam habituados.

Thursday, June 01, 2006

Plágio ou coincidência???


Pois é. Há coisas que continuam a surpreender-nos... desta vez a história envolve os Red Hot Chili Peppers, banda que vai actuar depois de amanhã no Rock In Rio. Quem é que ainda não ouviu o single "Dani California" retirado do novo álbum "Stadium Arcadium"? Poucos, certamente. Mas ainda menos serão os que reconheceram evidentes semelhanças entre esta música e uma de Tom Petty lançada em 1990 e que se intitula "Mary Jane's Last Dance". Um produtor de rádio norte-americano descobriu um possível caso de plágio praticado pelos RHCP, e afirma mesmo que "a progressão de acordes, a melodia, o tempo, a escala, o tema da letra... são idênticos". Num programa emitido esta semana foi desvendado o alegado plágio e as duas músicas foram comparadas, primeiro com excertos de cada uma e depois tocadas simultaneamente. Qual não é a surpresa quando se percebe que o início dos dois temas é igual, e até a secção rítmica está no mesmo tempo musical!!
Para quem é fã da banda ou quem se interessa por música aqui fica o link com o excerto do programa de rádio onde se pode ouvir a investigação sobre este caso:
WGMD Radio News

Thursday, May 25, 2006

Rock Encyclopedia Chapter 16

Clássicos do Rock - de 1980 a 2000
Capítulo 16: 1995


Estamos praticamente a meio da década de 90. A indústria musical começa a sofrer algumas alterações, principalmente pela “explosão” de ficheiros MP3 através da Internet, fenómeno que começa a crescer neste ano, e desde aí não mais parou até aos dias de hoje.
Os Dire Straits separam-se, pondo fim a uma brilhante carreira. Por outro lado formam-se os System Of a Down, uma das bandas mais inovadoras na cena metal a aparecer nesta década.

Quanto a discos influentes lançados em 1995, temos “King For a Day...Fool For a Lifetime” dos Faith No More, “Wolfheart” dos Moonspell (maioritariamente a uma escala nacional) e dois que vou falar mais detalhadamente.

Os Garbage formam-se em 1993, pela mão dos 3 produtores Butch Vig, Duke Erikson e Steve Marker. Estes juntam-se para uma jam session mas acabam por recrutar Shirley Manson para a voz e assim nasce uma das mais inovadoras bandas pop rock da década de 90. Como não podia deixar de ser, o álbum de estreia “Garbage” é extremamente bem produzido, com particular destaque para os arranjos das músicas, que fazem a banda apresentar uma sonoridade diferente do habitual em bandas pop. O álbum começa a ter sucesso nos E.U.A. mais para finais do ano, quando “Queer” passa a ter forte destaque nas rádios. Mais tarde também “Stupid Girl” e “Only Happy When It Rains” recebem forte airplay, ajudando o álbum a atingir “ouro” em meados de 1996. “Garbage” acaba por ser um dos melhores discos pop do ano e uma lufada de ar fresco neste estilo musical.

Este é um dos maiores discos de industrial, feito por um nome que dispensa apresentações neste estilo. Os Fear Factory lançam “Demanufacture”, o segundo álbum da carreira, onde aperfeiçoam a reconhecida sonoridade da banda, misturando a electrónica industrial e samples com o pesado death metal. O resultado acaba por ser excelente, e o disco é aclamado um pouco por todo o mundo. A partir daí o industrial nunca mais foi o mesmo. A bateria de Herrera, misturada com os riffs pesadões de Cazares e os refrões melódicos de Burton C. Bell deixaram a sua marca para sempre. Basta ouvir “Replica”, “Dog Day Sunrise”, “Self Bias Resistor” ou “Demanufacture” para se perceber porquê…

Até para a semana.
Rock On!


Tuesday, May 23, 2006

Defeso Musical




Já há algum tempo que não escrevia. Falta de tempo ou falta de assunto, não sei. Pois hoje decidi voltar à caneta e papel (vulgo Word) e deixar aqui umas linhas. Para variar vou falar de música, mais concretamente de períodos de espera. A música às vezes é como o futebol em tempo de defeso, onde não há jogos e os jornais esperam e desesperam por tempos mais movimentados. Aquelas alturas em que esperamos por álbuns novos ou concertos, parecem este longo período de espera até começar o Mundial e o ecrã se voltar a encher de futebol várias horas por dia. Pois neste momento encontro-me numa dessas fases, e a única coisa a fazer é ouvir coisas antigas que vão ficando para o lado por falta de tempo. E já não é mau, pois às vezes é a única maneira de ouvir com atenção e pormenorizadamente alguns discos que já comprei ou arranjei, e por este ou aquele motivo fui adiando audições mais atentas. E aproveito sempre para descobrir coisas novas, especialmente em áreas musicais onde o meu conhecimento é menor.
Bom, mas isto tudo para falar de duas coisas que já espero com alguma ansiedade. Os Iron Maiden já efectuaram as gravações do seu novo álbum de estúdio, e ainda não ouvi falar da data prevista de lançamento. Apenas sei que já está a ser misturado pelo "mestre" Kevin Shirley... e conhecendo bem a banda britânica não posso esperar para ouvir a sonoridade do novo material.
Por falar em Kevin Shirley, o homem que costuma misturar os álbuns de Dream Theater, os norte americanos fizeram um concerto no passado mês de Janeiro com uma orquestra!!!, após 20 anos de carreira. Se já os Metallica tinham tido uma experiência bastante interessante com a San Francisco Symphony Orchestra (lançada em "S&M), então a espera para ouvir os génios do rock progressivo a tocar com uma orquestra vai ser longa... mas certamente vai valer bem a pena. Datas previstas é óbvio que também não há, mas não me parece que o lançamento deste concerto em CD e DVD seja feito durante este ano.
Entretanto temos um mês de Mundial (9 Junho a 9 Julho), antecedido pelo Europeu de Sub-21, para nos ajudar a esperar pelas novidades musicais.

Up the irons!

Wednesday, April 26, 2006

FF@Almada


O grande nome do metal industrial passou ontem à noite por Almada. Os Fear Factory (FF) não deram descanso a ninguém durante 1 hora e 45 minutos. Deve ser por isso que os meus ouvidos continuam a emitir feedback, e o corpo dói como se tivesse estado a fazer desporto durante duas horas. Mazelas que ficam de um concerto, mas que não chegam para relegar as boas memórias para segundo plano. Os norte-americanos estiveram iguais a si próprios e destilaram riffs industriais, acompanhados pela "metralhadora" que é a bateria de Raymond Herrera, um espectáculo dentro do próprio espectáculo. Felizmente os dois últimos álbuns foram os menos tocados, com a banda a concentrar a maior fatia do concerto em "Demanufacture" e "Obsolete", os discos mais conseguidos na carreira dos FF. Não faltou nenhuma das grandes músicas, acompanhadas por abundante mosh e crowd surfing. Os seguranças não tiveram mãos a medir...

Desde "Self Bias Resistor", "Shock", "Edgecrusher", "Linchpin", passando por "Martyr", entre muitas outras, e o encore com "Replica" e "Ressurrection", era difícil pedir mais. O Incrível Almadense voltou a viver uma grande noite de metal, e os fãs de FF também. Parte de "Walk" (dos Pantera) foi também revivido pelos FF, numa homenagem ao falecido guitarrista Dimebag Darrel, que chegou para pôr todos a saltar e a gritar o nome de um dos mais carismáticos guitarristas do heavy metal (morto por um fã durante um concerto, em 2004).
Pena que ultimamente os concertos de metal andem tão escassos por cá. As melhores bandas (não significa as mais conhecidas) continuam sem incluir o nosso país nas suas tournées. Será que os nossos promotores de concertos andam a dormir, ou só lhes interessa trazer grandes nomes ao Pavilhão Atlântico?

Thursday, April 20, 2006

Rock Encyclopedia Chapter 15

Clássicos do Rock - de 1980 a 2000
Capítulo 15: 1994


De 12 a 14 de Agosto realizou-se a segunda edição do Festival Woodstock, em comemoração dos 25 anos sobre o evento original de 1969. Com o lema “Three more days of peace, love and music”, o festival teve um ambiente completamente diferente do Woodstock original e acaba mesmo por ficar conhecido como “Mudstock” devido às enormes batalhas de lama entre o público presente e algumas bandas. Os maiores nomes presentes foram Santana, Aerosmith, Peter Gabriel, Metallica, Green Day, Nine Inch Nails, Red Hot Chilli Peppers, Cypress Hill, Joe Cocker, entre outros.
Kurt Cobain suicida-se na sua própria casa, em A
bril deste ano, e a sua morte acaba por torná-lo num ícone da música rock em todo o mundo. Neste ano é editado “MTV Unplugged in New York”, até hoje um clássico dos álbuns ao vivo, e uma das maiores performances da banda antes da morte do seu frontman.


O quarto álbum dos Soundgarden acaba por ser o que mais sucesso teve na carreira do grupo originário de Seattle. “Superunknown” é um disco que revela uma banda no auge da originalidade e maturidade na composição, enquanto mantém as características da sonoridade do quarteto. O som grunge, com influências “Zeppelianas” e de heavy metal, marca o som dos Soundgarden, além das dissonâncias e compassos invulgares. Neste disco há também algumas incursões pela pop, no que é exemplo o hit single “Black Hole Sun”. Ao todo são 15 músicas, que ajudaram a elevar os Soundgarden a banda de culto. Sem dúvida um dos grandes discos desta década.


“Burn My Eyes” foi uma das grandes surpresas do ano. O disco de estreia dos Machine Head apresenta ao mundo uma sonoridade que rivaliza com os melhores álbuns de Pantera, e que consegue soar original ao mesmo tempo. Tarefa nada fácil para um primeiro disco, mas o que é certo é que os MH demonstram aqui toda a sua capacidade para compor, além de uma enorme coesão no resultado final. Os riffs de guitarra não podiam ter mais groove, a voz assenta que nem uma luva e a secção rítmica é bastante boa. É deste disco que saem temas como “Old”, “Davidian”, “A Thousand Lies” ou “Block”, que até à data continuam a ser dos melhores alguma vez editados pela banda.


Até para a semana.
How Does it Feel to Be Alive?!

Tuesday, April 18, 2006

Terror, onde?


"Hostel", de Eli Roth, é para já uma das grande desilusões do ano. A hábil campanha de marketing americana funcionou em pleno, o nome de Quentin Tarantino (como produtor executivo) ajudou a chamar pessoas às salas, mas no final de contas "Hostel" não passa de um filme medíocre, com alguns salpicos de gore à mistura. Três adolescentes (dois americanos e um islandês) conhecem-se durante uma viagem pela Europa e, depois de ouvirem uma história mirabolante sobre Bratislava e a facilidade de arranjar mulheres, decidem ir até à capital eslovaca. Em Bratislava as coisas não serão tão fáceis como parecem, e os jovens vêem-se envolvidos num complexo esquema de tráfico de carne humana.

A primeira metade do filme chega a ser muito má, e parece que estamos a ver um qualquer teenager road movie de má qualidade, com um argumento que roça a banalidade. Ao fim de quase uma hora lá vem um pouco de gore, quase forçado, aparecendo como acessório de uma estória muito fraca, e não de uma forma natural. Isto, para um filme que se apresentava no cartaz como "the scariest movie in a decade", é manifestamente insuficiente.
O filme aborda o tráfico de seres humanos, que são depois mortos de várias formas por psicopatas que pagam para assassinar as vítimas das mais diversas formas. Mesmo assim o realizador cai muito no facilitismo, e nunca chega a explorar o lado da estória que poderia ser desenvolvido de uma forma muito mais interessante. Excepção feita a duas ou três cenas e alguns pormenores, o resto do filme acaba por ser demasiado superficial e caír facilmente no tédio. O filme até poderia servir para uma séria reflexão sobre a crueldade humana para com os seus semelhantes e os limites do sofrimento e tortura impostos, mas é certamente coisa que não se vê neste "Hostel". Os efeitos sonoros e a música são demasiado excessivos, "empurrando" sempre o espectador para onde o realizador deseja, não deixando que os sentimentos passem de uma forma natural através da imagem e do próprio argumento.

Ao contrário do que estava à espera, este é um filme de estúdio à boa maneira hollywoodesca, e como geralmente sucede neste género, a boa produção não disfarça o mau conteúdo, e a lógica comercial sobrepõe-se ao interesse de criar um filme com qualidade que leve as audiências a reflectirem.
Vejam. Mas depois não digam que não avisei!

Thursday, April 06, 2006

Rock Encyclopedia Chapter 14

Clássicos do Rock - de 1980 a 2000
Capítulo 14: 1993


Em 1993 é lançado o último álbum de estúdio dos Nirvana, “In Utero”. Kurt Cobain viria a morrer no ano seguinte e a carreira dos Nirvana termina. Este ano vê partir Frank Zappa, um dos maiores génios musicais do século XX ligados ao rock. Zappa torna-se uma das maiores influências para músicos da sua geração e das seguintes.
O mítico vocalista dos Iron Maiden resolve sair da banda, após muitos anos e os britânicos dão o seu último concerto com Dickinson em Agosto, espectáculo que é transmitido pela televisão britânica (Bruce acaba por mais tarde regressar aos Maiden, levando consigo Adrian Smith, mais concretamente em 1999, depois de ter lançado vários discos a solo). Quanto aos álbuns mais influentes do ano, a escolha vai para os Sepultura, Gary Moore e Anthrax.


Um dos álbuns mais proeminentes desta década. Os brasileiros Sepultura conseguem um dos discos mais aclamados da sua carreira, juntando percussões fortes, letras que denunciavam a situação caótica no Brasil, ritmos bastante pesados e a brutal voz de Max Cavalera. Impressionante para quem conhece os primeiros passos da banda, onde gravam o primeiro disco pouco tempo depois de estarem juntos e ainda a aprender a tocar os instrumentos. Mas a evolução da banda foi rápida e notória de álbum para álbum, conseguindo alcançar alguns anos depois o estatuto de banda de culto no meio heavy metal mundial. Este “Chaos A.D.” tem grandes músicas como “Refuse/Resist”, “Territory”, a instrumental “Kaiowas”, “Propaganda” ou ainda “Nomad”, entre outras. Os Sepultura mostraram ao mundo outra forma de abordar e de fazer heavy metal, e apesar da saída de Max Cavalera (que veio a formar os Soulfly) após o sucessor de “Chaos A.D.” (“Roots”), esse mérito já ninguém lhes tira.


Gary Moore é um dos mais conceituados e talentosos guitarristas de blues rock das últimas décadas. O irlandês conseguiu o seu espaço ao criar um estilo e sonoridade muito próprias, nunca fugindo às raízes tradicionais do blues, mas acrescentando-lhe tonalidades rock e uma capacidade de composição acima da média. “Blues Alive” é um disco bastante interessante, com os maiores êxitos do guitarrista e um som muito bom, tendo em conta que é um álbum ao vivo. Toda a mestria e técnica de Moore podem ser apreciadas, desde as músicas mais rock como “Cold Day in Hell” ou “Walking By Myself”, passando pelas inevitáveis baladas e grandes sucessos como “Still Got The Blues”, “Parisienne Walkways” ou “The Sky is Crying”. É mais um daqueles discos para devorar do princípio ao fim, com as habituais improvisações num álbum ao vivo, que nos dão algo mais do que os álbuns de estúdio.


Para alguns, os Anthrax foram tão importantes como os Metallica ou os Megadeth na definição e crescimento do heavy e trash metal. Mas se isso é discutível, uma coisa parece certa: os Anthrax criaram uma sonoridade diferente (misturando algum hardcore, punk ou mesmo hip-hop) dentro do estilo clássico do heavy metal. E souberam-no fazer com sabedoria e qualidade, não só na parte instrumental, mas também nas letras e mensagem. “Sound of White Noise” surge numa fase de transição para os norte-americanos, que substituem o vocalista Joey Belladona por John Bush. Felizmente a qualidade das músicas fez com que a mudança de vocalista passasse para segundo plano, e nem nos lembramos disso ao ouvir o disco. “Only”, com um ritmo contagiante, “Room For One More”, “Hy Pro Glo”, “Invisible” ou “This is Not an Exit” são alguns exemplos da sonoridade que encontramos neste disco. Riffs de guitarra bem conseguidos, secção rítmica ao melhor nível e a voz de John Bush a encaixar perfeitamente no estilo e espírito das músicas. Para quem gosta de bom heavy metal, este é um daqueles discos que se devem ter na colecção.


Até para a semana.
Refuse. Resist!

Sunday, April 02, 2006

Mais sugestões...

Bernardo Sassetti
Concerto baseado na banda sonora do filme “Alice”, de Marco Martins
Teatro Maria Matos

6 de Abril, 21h30


Rip Curl Pro (WQS Surf)
Peniche

7 a 9 de Abril





Festival Internacional de Cinema Independente - Indie Lisboa 2006
de 20 a 30 de Abril
Cinemas Londres, King e Fórum Lisboa
www.indielisboa.com


Fear Factory

Incrível Almadense
25 de Abril, 21h


Thursday, March 30, 2006

Rock Encyclopedia Chapter 13

Clássicos do Rock - de 1980 a 2000
Capítulo 13: 1992

Os primeiros anos da década de 90 continuam a ser marcados pelo crescimento e solidificação do movimento grunge um pouco por todo o mundo, e pela abertura de novas fronteiras no mainstream pelos maiores grupos de heavy metal. Os Nirvana atingem o 1º lugar no Top em vários países com o lançamento do ano anterior, "Nevermind".
Relativamente a novas bandas, temos os Korn e os Oasis, que se formam precisamente neste ano e que irão espalhar a sua influência mais tarde, embora em áreas distintas.
A escolha dos álbuns mais influentes do ano recaiu totalmente no heavy metal, pois todos eles serão discos muito influentes para o futuro, tanto a nível de composição como a nível de alargamento das fronteiras deste estilo, principalmente com a entrada em cena dos Rage Against The Machine (RATM). E numa altura em que cada vez mais estilos alternativos de rock atingiam o sucesso comercial, foram as bandas de heavy metal a marcar o passo e a compôr discos que vão influenciar as novas gerações de músicos.


Tal como os Metallica tinham feito no ano anterior, os Megadeth seguem os passos e lançam “Countdown to Extinction”, que embora seja bastante diferente de “Metallica”, possui alguns pontos em comum em relação à difusão do heavy metal no circuito mainstream e à qualidade do álbum. De facto “Countdown to Extinction” não tem tantos singles, digamos assim, como “Metallica”, mas é um disco bem tocado da primeira à última música, de uma composição e maturidade bastante acima da média. “Symphony of Destruction” conquistou desde logo airplay nas rádios e MTV, tornando-se um grande sucesso e ofuscando o resto das músicas. Mas quem ouvir com atenção vai descobrir grandes músicas como “High Speed Dirt”, “Countdown to Extinction”, “This Was My Life”, “Foreclosure of a Dream”, enfim, quase podia citar os temas todos do álbum. Os Megadeth atingiam o pico da sua carreira, e este line-up, que vinha desde “Rust in Peace (o álbum mais complexo musicalmente dos Megadeth, lançado em 1990) mantém-se neste álbum e por mais dois, construindo a fase mais sólida da carreira do grupo, desde sempre liderado por Dave Mustaine.


Os Pantera foram uma banda que marcou a diferença, pela positiva, no mundo do rock. E se “Cowboys From Hell” já tinha prometido, então com “Vulgar Display of Power” a banda atinge definitivamente um nível e estatuto merecidos pela originalidade, potência e energia que as suas músicas possuíam. Um dos primeiros álbuns de sempre deste género a estrear no primeiro lugar da Billboard Chart, mais um sinal de que o heavy metal tinha mais fãs do que as pessoas da indústria musical pensavam. Mas isso são apenas dados estatísticos... e o que interessa aqui é a música. Pois bem, desde a abertura com “Mouth For The War”, o épico “Walk”, passando pela “balada” “This Love”, é difícil ficar indiferente à energia e brutalidade (no bom sentido) dos Pantera. Há ainda uma das maiores músicas do metal dos anos 90, o rapídissimo e arrebatador “Fucking Hostile”, que contém uma mensagem social deveras interessante. Quem acha que metal é só barulho e vocalistas a berrar mensagens nonsense é porque nunca se deu ao trabalho de ouvir com atenção. Vale a pena apreciar a voz de Phil Anselmo, o excelente trabalho de bateria (principalmente no pedal duplo) de Vinnie Paul, o baixo “consistente” a complementar a secção rítmica e os riffs inigualáveis de Dimebag Darrel.


Este é o álbum homónimo de estreia dos Rage Against The Machine. E caiu que nem uma pedrada no charco, pois os RATM foram a primeira banda a misturar metal, hip-hop, punk e hardcore com qualidade e originalidade. Além disso sempre foram uma banda corrosiva e com críticas e mensagens políticas bastante duras em relação ao imperialismo e ao poder político dos E.U.A. Este disco contém alguns dos maiores êxitos na carreira da banda, como o inevitável “Killing in The Name”, “Bombtrack”, “Wake Up” ou ainda “Bullet in The Head”. Ao todo são 10 temas de puro groove, onde se destacam a guitarra inimitável de Tom Morello e a voz poderosa e autoritária de Zack De La Rocha. Isto sem desprimor para a secção rítmica dos Rage, que se entende às mil maravilhas e lança as bases para o estilo inconfundível da banda.


Até para a semana
We Gotta Take The Power Back!

Tuesday, March 28, 2006

Terror Asiático


"3...Extremos". Uma amostra do cinema fantástico e "gore" que se vai fazendo pela Ásia. São 3 curtas, filmadas por 3 realizadores diferentes. Fruit Chan (Hong Kong), Park Chan-Wook (Coreia do Sul) e Takashi Miike (Japão) são dos mais conceituados realizadores asiáticos do momento, que se movimentam normalmente por áreas extremas, seja no terror, no suspanse ou no fantástico. "Dumplings", a primeira curta das três, é também a mais real e que nos retrata um submundo à parte, visto de uma forma simples e curiosa, mas extremamente hábil por Fruit Chan. Preciosas iguarias, preparadas e cozinhadas por um "chef" diferente, são o segredo para manter a juventude. A história, a fotografia e a música estão extremamente bem conseguidas e o ambiente recriado pelo realizador pouco ou nada deixa a desejar. Park Chan-Wook, o realizador de "Oldboy", apresenta-nos "Cut", num género um pouco diferente, mas que surpreende pela positiva. Uma comédia "selvagem", servida com requintes "gore". Quanto a Takashi Miike, para muitos um realizador de culto no Japão, assina aqui a curta metragem menos impressionante das três. Uma abordagem demasiado artística e conceitual, que não ajuda muito a história, mas onde mesmo assim encontramos elementos característicos do cinema fantástico de Miike. Em resumo, vale a pena assistir a "3...Extremos", se gosta de cinema asiático e não é uma pessoa facilmente impressionável. Para quem não gosta deste estilo de cinema, é melhor manter-se longe deste filme.

Thursday, March 23, 2006

Rock Encyclopedia Chapter 12

Clássicos do Rock - de 1980 a 2000
Capítulo 12: 1991


Este foi um dos anos com mais acontecimentos “históricos” da última década. Freddie Mercury, o vocalista de Queen, morre a 24 Novembro, vítima de SIDA. Desaparecia assim um dos mais brilhantes vocalistas da história do rock. Neste ano falece também um dos músicos
mais influentes de sempre, o genial Miles Davis, que foi um dos primeiros a usar instrumentos eléctricos no jazz e a fundi-lo com rock e outros estilos, que mudariam para sempre a música que hoje conhecemos.

Em Seattle, este foi o ano da explosão do grunge para o mundo. Os Nirvana lançam “Nevermind”, até hoje o álbum mais popular da banda, os Pearl Jam editam “Ten” e os Soundgarden regressam com “Badmotorfinger”, isto só para mencionar os mais importantes. Os Rage Against The Machine, uma das mais melhores e mais originais bandas a fundir o heavy metal com o rap ou hip hop, formam-se nesta altura.
Quanto a álbuns lançados, são tantos e tão importantes que mencioná-los a todos daria uma longa lista. Como habitualmente, vou falar daqueles que mais importância histórica tiveram, na minha opinião, para o desenvolvime
nto do rock.


“Nevermind” foi uma das grandes surpresas desta década. O segundo álbum dos Nirvana quebrou todas as barreiras e popularizou um género musical como poucos o tinham feito até então. Kurt Cobain torna-se mais tarde um ícone para jovens e adultos de diferentes gerações e, goste-se ou não, a música dos Nirvana mudou o mundo do rock para sempre. Os ritmos simples, a estrutura de quatro acordes da maior parte das músicas ou a mistura com o punk e o metal caracterizavam o som dos Nirvana. Exemplos disso são “Smells Like Teen Spirit”, “Come as You Are”, “Lithium” ou “In Bloom”. “Nevermind” marcou uma era e uma geração, mas a carreira dos Nirvana viria a acabar prematuramente com o suicídio do seu líder, Kurt Cobain, em Abril de 1994.


Três anos de preparação e uma ambição enorme levaram a banda norte-americana a lançar dois discos de uma só vez, “Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II”. Dois álbuns que ficarão para sempre na história do rock, contendo músicas de uma qualidade fantástica e alguns épicos, embora também alguns (poucos) temas menos bem conseguidos. Desde “Live And Let Die” a “November Rain”, passando por “Civil War”, “Don’t Cry”, You Could Be Mine” e a famosa versão de “Knockin’ on Heaven’s Door”, mais uma mão cheia de boas músicas, chega para colocar a banda no topo das mais talentosas nos anos 90. Os ícones Axl Rose e Slash são os principais responsáveis, e embora os outros elementos da banda fossem também talentosos, o seu carisma não era o mesmo.


Os Metallica regressam com aquele que ficou conhecido por “black album” e que foi um dos mais vendidos de sempre na história do heavy metal. E se é verdade que a promoção ao disco foi enorme, algo até então nunca visto para uma banda de metal, isso não retira o mérito ao quarteto norte-americano pela qualidade das músicas, aliadas a uma produção extremamente exigente e cuidada de Bob Rock. Metade dos temas deste álbum tornaram-se hinos dos Metallica e alargaram a sua base de fãs ao mainstream de uma maneira nunca antes vista. “Enter Sandman”, “Sad But True”, “Wherever I May Roam”, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters” foram os grandes responsáveis. Mas desengane-se quem rotula este álbum de comercial, pois o peso e os riffs característicos de Metallica continuam lá, desde “Holier Than Thou”, passando por “Through The Never”, “Of Wolf And Man” ou “Struggle Within”. Um disco para ouvir do primeiro ao último segundo.


Até para a semana.
Get The Funk Out!

Monday, March 20, 2006

Ben Harper

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As duas faces de Ben


Ben Harper está de volta e em dose dupla. "Both Sides of The Gun" é o título do novo álbum, que contém dois discos. A decisão de lançar o álbum dividido teve a ver com razões musicais, e não porque as músicas não coubessem todas no mesmo cd. Ben Harper tinha canções de diferentes inspirações e achou que a divisão em dois discos fazia mais sentido: "I hate to call it the hard disc and the soft disc, because sometimes the soft stuff hits you harder than anything else." Harper compara a experiência com a audição de um disco em vinil: "It's like flipping a record, turning it over to the next side."

O compositor, guitarrista e vocalista leva-nos a diferentes emoções ao longo das 18 músicas que podemos apreciar em "Both Sides of The Gun". Estão lá as baladas, a melancolia, a slide guitar, as letras por vezes intimistas, a vontade de mudar o mundo, o rock, os blues, o funk, enfim, tanta coisa que não dá para enumerar tudo. Mas este é sem dúvida alguma um álbum a explorar, bastante interessante e diversificado. Carreguem no play em cima, apreciem e "acreditem" neste "Better Way"...

I'm a living sunset
lightning in my bones
push me to the edge
but my will is stone

fools will be fools
and wise will be wise
but i will look this world
straight in the eyes

what good is a man
who won't take a stand
what good is a cynic
with no better plan

reality is sharp
it cuts at me like a knife
everyone i know
is in the fight of their life

take your face out of your hands
and clear your eyes
you have a right to your dreams
and don't be denied

I believe in a better way