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Tuesday, October 16, 2007

"Villa Lobos"

Mais um pequeno tesouro que só agora descobri. Maria João, numa fabulosa colaboração com a banda de Joe Zawinul (mentor dos Weather Report), no ano de 2002 . A beleza da música dispensa quaisquer comentários.

Monday, July 30, 2007

Notas paralelas


O LA Times publicou ontem um excelente artigo sobre as semelhanças e as diferenças entre o jazz e o heavy metal. O primeiro estilo musical é considerado de elitista e complexo; o segundo é visto como brincadeira de crianças ou apenas como "barulho". Este texto, embora com as limitações de espaço que um jornal implica, traz algumas comparações interessantes entre os "dois mundos". Ao contrário do que muitos pensam, as semelhanças entre o jazz e o metal são muitas, e por isso muitos músicos tentam fundir os dois estilos.

"(...) heavy metal and jazz have been sipping quite a bit of lemonade on the veranda together lately. Bopsters used to disdain metal as kid stuff; metal dudes thought jazz was for geeks. But both forms — and forms ain't as pure as they used to be — tend to make huge technical demands, challenging the outer limits of fingers and mind".
A minha opinião sempre se aproximou a isto, pois o heavy metal pode ser tão ou mais complicado que o jazz, musicalmente falando, transmitindo as inúmeras emoções que a música pode transmitir. Nos dois estilos existem boas e más bandas, músicos exibicionistas (com os seus rapídissimos solos), e também grande parte dos melhores músicos de sempre.

"Some jazz players think that by putting a distortion box on their tone, all of a sudden it's rock," says Sherinian, lounging in his Valley home/studio. "But unless you grew up listening to Led Zeppelin, Van Halen, Black Sabbath, and you have that music in your heart, it's not gonna rock. Jeff Beck was the model for me, because he was a rock player who crossed over to the jazz side", diz Derek Sherinian, virtuoso teclista, que já passou pelos Dream Theater

Eu acho que qualquer dos dois estilos teve um papel considerável no desenvolvimento da música em geral, e discordo totalmente dos críticos de jazz que falam de um pedestal e olham para baixo para as bandas de rock. Gosto de ouvir ambos, e não acho que um estilo seja superior ao outro. Até porque a estrutura musical muitas vezes é semelhante, só que os instrumentos utilizados e a produção dos discos fazem-nos parecer muitas vezes como se estivessem em campos totalmente opostos. Por exemplo, Miles Davis aproximou-se muito do rock, enquanto bandas como Dream Theater ou King Crimson utilizam elementos jazzísticos, com outra "roupagem".

"In the '70s though, it was mainly African American jazz players who were crossing over to rock — selling out, many observers whined. But when Miles Davis heard Jimi Hendrix detonating sound bombs in the late '60s, he knew jazz needed to twist the volume knob. And electrified Miles begat a generation of fusioneers that included Tony Williams, John McLaughlin, Herbie Hancock, Chick Corea and Joe Zawinul, and Williams begat the nonpareil six-string speedster Allan Holdsworth".

Percebo que muitos sejam incapazes de gostar de dois estilos que soam, por vezes, totalmente opostos. Mas a ignorância e os comentários que muitos supostos entendidos fazem, levam-me a chegar à conclusão que de música percebem pouco. Apenas gravitam em torno desse mundo artístico e acham-se no direito de falar de coisas das quais deviam ter o mínimo de conhecimento.

Link para artigo completo

Thursday, November 23, 2006

Loueke! Quem?


Depois do concerto dos "extraterrestres" Keith Jarrett, Jack DeJohnette e Gary Peacock, eis que chega o Herbie Hancock na mesma semana!! Uff!! Não é fácil digerir tanta coisa. E num concerto de mais um "extraterrestre", a surpresa veio de uma guitarra. Lionel Loueke, músico do Benin, é uma verdadeira caixinha de surpresas. E alia ao seu enorme talento uma dose interessante de originalidade. Nascido em África, estudou música em Paris e depois na Berklee School of Music, nos EUA. E consegue juntar todas estas influências de uma forma bastante interessante. Um valor a não perder de vista.

http://www.youtube.com/watch?v=HRKz5oN_1Eo

www.lionelloueke.com

Watch for yourself!

Monday, July 31, 2006

Miles Away


Há músicos que marcam uma geração. Mas há outros que vão ainda mais longe. Mudam toda a forma de pensar, tocar e estruturar uma peça musical. Revolucionam as nossas mentes, chocam com métodos instituídos e irritam os críticos que não os conseguem compreender. E estes músicos não marcam apenas uma geração – deixam a sua marca de tal forma impressa que a partir daí a música nunca mais é a mesma. Atravessam décadas e o legado perdura para sempre. Veja-se o caso de Mozart, Beethoven, Rachmaninoff ou Jimi Hendrix. Quantos anos passaram desde as últimas composições destes génios? Mesmo que não se perceba, aquilo que fizeram pela música continua a perdurar e as composições da actualidade serão sempre influenciadas por o que se conseguiu evoluir no passado.

Miles Davis é uma destas excepções. O trompetista norte-americano revolucionou a música no século XX e a sua influência vai perdurar por muitos séculos. O menino que nasceu em Saint Louis cedo ganhou interesse pela música e mudou-se para New York assim que completou o ensino secundário. Foi aqui que conheceu o mundo do jazz, no famoso circuito de bares da Big Apple. Ainda jovem, Miles conheceu alguns nomes grandes do jazz como Charlie Parker, Jack DeJohnette ou Art Blakey. Aprendeu com eles, mas tão importante como isso foi a preocupação em encontrar a sua “voz” no trompete, a sua sonoridade, aquilo que o iria distinguir de todos os outros. Esse foi um percurso de toda uma vida, que pode ser apreciado na longa discografia do artista. Desde os primeiros anos a tocar standards até à fase “eléctrica” e progressiva, Miles Davis é inconfundível. Trabalhou com John Coltrane, Sonny Rollins, Chick Corea, Keith Jarrett, Art Tatum, Charles Mingus, Philly Joe Jones, Dizzy Gillespie, entre muitos outros. Mas sempre se conseguiu destacar pela originalidade, criatividade e inovação. Como li nalgum lado, Miles Davis é o Picasso do jazz. Não sei se a comparação é ideal ou não, mas o trompetista negro de mau feitio é talvez o músico mais influente do jazz do século passado.

Pouco tempo antes de Jimi Hendrix falecer, os dois músicos tinham-se juntado e preparavam-se para gravar um álbum juntos.
Infelizmente, esse disco nunca chegou a acontecer. Miles soube da notícia da morte do guitarrista, e pela primeira vez na sua vida achou que devia ir a um funeral. O sonho tornava-se impossível de realizar: conhecendo-se o génio dos dois músicos, a música seria provavelmente algo impossível de descrever. Afinal o que aconteceria se se juntassem os dois maiores músicos do século XX??? Nunca se saberá...

Miles morreu em 1991, mas a sua música é eterna.